Uma empresa sediada em Salvador (BA) que recebeu cerca de R$ 13 milhões em emendas parlamentares indicadas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), está sob investigação após obras de pavimentação executadas com esses recursos terem apresentado qualidade inferior ao esperado, com trechos do asfalto apresentando problemas estruturais e deterioração precoce.
A Allpha Pavimentações e Serviços de Construções Ltda, fundada em 2017 e com atuação no setor de obras públicas, teria utilizado os recursos em uma estrada no estado de Alagoas, mas o resultado despertou críticas de usuários e fiscalização.
Autoridades da Polícia Federal, no âmbito da Operação Overclean, investigam suspeitas de irregularidades ligadas a esse e outros contratos ligados à empresa, incluindo possíveis fraudes em licitações e desvios de verbas públicas. Há indícios de que parte dos valores aprovados para pavimentação tenha sido desviada para fins não relacionados à execução adequada da obra, o que motivou a abertura de inquéritos e medidas judiciais contra os proprietários da companhia.
Os donos da empresa, Alex e Fábio Rezende Parente, já tiveram prisão preventiva decretada e seus bens bloqueados em desdobramentos das apurações, que também envolvem contratos em municípios como Jequié e Novo Horizonte, na Bahia.
Em resposta à reportagem, parlamentares ligados à indicação das emendas afirmam que o papel do deputado é apenas sugerir os locais e projetos que deverão receber recursos, não cabendo a ele a fiscalização direta da execução das obras. A discussão reflete um debate mais amplo sobre mecanismos de controle e transparência no uso de emendas parlamentares e na execução de contratos públicos
